quarta-feira, 30 de maio de 2012

Me declaro culpado

Eu ja errei demais, com gente demais.
Nao perco tempo pensando em todos eles, alguns as pessoas vivem jogando na minha cara, outros a vida em si estampa a cada esquina, pra que eu nao faca a mesma coisa de novo.
Eu nao sinto remorso pela maioria, acho que fazem parte, foram me lapidando, me dando experiencia. Logico que ha alguns poucos que eu me arrependo amargamente, que me perseguem em sonhos de vez em quando, ou nos finais de semana tocando violao sozinho, numa casa grande e vazia. Mas sao poucos, melhor assim.
Mas a grande ligacao entre meuz erros e eu eh que eu nao me envergonho deles, nao os escondo. Me arrependo como qualquer um. Me desculpo com quem aceita minhas desculpas, me desculpo com quem nao as aceita, mas nao vejo motivo de vergonha em nenhum deles.
Meus erros nao me definem, eles podem dizer onde eu ja estive, dar pistas de quem eu ja fui. Mas jamais dirao quem eu sou hoje, ou quem eu serei amanha. Eu nao sou meus erros, nao importa quem diga o contrario, nao importa quem me julgue.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais um treino...


Eu mal amarro os tênis e eles estão lá.
Todos os meus problemas, o stress do dia a dia, todos os meus erros, grandes e pequenos
Então eu começo a correr, aumentando o ritmo pouco a pouco
No primeiro kilometro eu ouço tudo o que eles falam: "você não vai conseguir", "você vai falhar de novo e nos somos provas e testemunhas disso", "você é fraco e não adianta fingir que não sabe disso".
Assim que eu completo o primeiro kilometro alguns já não tem o mesmo ritmo, outros vão ficando sem fôlego, mas todos ainda estão ali do meu lado, me julgando, tentando me desanimar, me subjugar.
Eu começo o terceiro kilometro e dou uma rápida olhada pra trás. Já não ha sinal de muitos deles, eles não tem a disciplina necessária pra me seguir, a forca de vontade, uma olhada pros lados e as coisas mais serias ainda estão lá. As mentiras que eu contei, as pessoas que eu enganei ou prejudiquei de alguma forma, elas estão me lembrando de todas as vezes que eu não fui firme de propósito o suficiente.
Eu começo o quarto kilometro e já não consigo manter o mesmo ritmo, alguns olham pra mim, bem no fundo dos meus olhos e eu ouço mesmo que eles não abram a boca: "você vai desistir e sabe disso".
Continuo correndo, já são cinco kilometros, todos que eu magoei de verdade ou me magoaram estão la ainda, sem mostrar nenhum sinal de desanimo ou cansaço, como se estivessem nos meus ombros ate agora, eu me concentro na respiração, tento ignorar os sussurros, os olhos, só respiro e tento manter o ritmo mas la no fundo ainda ouço: "você me traiu", "você me envergonhou", "você não pertence a lugar nenhum", "eu achei que você era melhor que isso"... São só sussurros, mas são cheios de magoa, e cada um deles me sangra um pouco, e eu faço a única coisa que posso, mantenho o ritmo e continuo a correr.
Já estou no sexto kilometro, minhas pernas doem, parece que ha uma ancora em cada uma, mas eu continuo correndo, "minhas costas doem, não sei se por a postura estar certa pela primeira vez no dia ou se eu estou correndo todo torto". Olho pro lado e só eu vejo que quem esta falando sou eu, e eu continuo me ouvindo, as criticas mais duras são sempre minhas: "você sabe que nunca mais vai ter uma chance como aquela", "porque continuar tentando se a gente sabe que você vai estragar tudo, DE NOVO". Tento me ignorar, e mais difícil do que deveria, mas eu continuo correndo.
Oitavo kilometro, sinto vontade de chorar, não sei se pelas dores nas pernas, nas costas ou porque as vozes não me deixam esquecer, mas seguro a dor, respiro e continuo correndo. Olho pro lado e sei que ele vou alcança-lo a qualquer minuto, meu corpo já começa a dar sinais de que não aguenta mais.
No nono kilometro eu o alcanço, meu limite: "chegou longe hoje", eu dou risada pela primeira vez na noite: "você que esta ficando lento" tento manter um certo tom de desafio na voz, mas ele sabe que eu já quase não aguento mais, arrumo a postura, tento ignorar a panturrilha latejando, continuo correndo, e meu limite ali me encarando mantendo o mesmo ritmo que eu mas já mostrando sinais de cansaço, eu me fecho, foco em mim e na pista, minto pra mim mesmo que falta pouco e continuo correndo.



Assim que entro no décimo kilometro eu vejo meu limite se entregando as dores, continuo correndo olho pra trás depois de algumas passadas, me orgulho de mim mesmo pela primeira vez no dia, eu consegui, estou sozinho, correndo. Pela primeira vez ouço o mundo a minha volta, não meus problemas, nem o sentimento de culpa, não ouço nem a mim mesmo. Eu consegui venci a mim mesmo e meu limite mais uma vez.
Sei que amanhã meu limite vai chegar mais longe e eu vou ter que me esforçar mais ainda pra vencê-lo. Sei que meus problemas estarão de volta pela manha, mas essa noite, eu venci. Completo o décimo kilometro, tiro o tênis de corrida, a panturrilha direita quase explodindo, minhas costas doem como se eu tivesse carregado granito, minha boca esta seca como nunca, mas eu me venci de novo, meu adversário mais fiel e desleal, passei por todos os meus problemas, ignorei tudo e mantive o passo apesar das dores. Alcancei o meu limite e o ultrapassei, não ha sentimento mais doce.
Hora de ir pra casa, eu, minhas dores e o sentimento de vitoria.


PS: texto também publicado em http://www.revistaholiday.blogspot.com.br/

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante. A raposa!